21 outubro 2013

Uma vitória na derrota - é assim que se renasce.




Nada ocorre por acaso no mundo da bola. Historicamente, lembramos de vários ‘esquadrões marginais’ – casos do Brasil de 1950 e 1982, da Holanda de 1974 e 1978, do Mogi-Mirim de 1992, da Colômbia de 1994. São aqueles times que perderam na soma final dos números, mas que deixam o gramado com mais do que a sensação de dever cumprido: saem com lágrimas de suor nos olhos, com um orgulho do tamanho do Universo.

Antes do trilhar da arbitragem, uma palestra daquelas que todos precisam ouvir. Falou-se sobre a amizade, sobre os motivos que fazem você, querido leitor, levantar cedo e partir rumo à zona leste da cidade. Era preciso ouvir que não existe esse jogo se não for pelo companheiro. Não existe essa quadra se ela não for bem tratada. Não existe Bate-Boca Futebol Clube sem que exista complacência, dignidade, respeito.

É óbvio que essa história é contata a partir da visão de um dos lados da moeda, no caso, da parte vermelha da Força bate-boquense. Mas o que esperar de um time que contava com quatro dos escolhidos por seu capitão contra um populoso adversário? A Squadra Azzurra cedeu um craque e mesmo assim faltava um para que se completasse o binômio ‘goleiro e seis na linha’...

Nada ocorre por acaso no mundo da bola. A ideia era a de apenas uma visita aos velhos amigos. Mas por que apenas uma ‘visita’, se não existe lesão, tampouco impedimento físico grave? O sopro do vento abala o lado psicológico de vez em quando. O frio na barriga de um molecote que entra no Morumbi pela primeira vez para ver um Palmeiras x Corinthians volta à mente. É difícil o caminho até a cancha, mas nada impede: uniformes e chuteira estavam sim na mala e era preciso vencer mais essa etapa da vida.

O caso é mais simples do que se imagina. De tanto levar tombos, uma hora eles não doem mais. As cicatrizes são tantas que já fazem parte de uma pele que se já não é tão jovem assim, ainda não é velha a ponto de sucumbir...

Pois foi assim, meus queridos amigos, que mais uma vez pisei em nossa quadra para me divertir. É isso que eu sempre quis fazer aos sábados, em qualquer canto do planeta. Me divertir com quem eu gosto, ter o prazer de ver os meus amigos. Fiquei tanto tempo sem aparecer por vários motivos – tornozelo sem os ligamentos, 115 sessões de fisioterapia, tristeza pela eterna ausência do pai, fraqueza psicológica, desânimo. Mas, quando a ‘gira girou’, como diz a letra de Zeca Pagodinho, voltei e voltei feliz.

Do alto dos 111 quilos, pensei que seriam apenas minutos – segundos, para ser mais sincero – em quadra. Mas eis que o tempo passa e a concentração está no jogo e não no coração, não na cabeça. Está na ponta da chuteira, está no pé dolorido, está nas pernas cansadas e felizes.

Por precaução, a máquina fotográfica estava na mala. É com ela que se desliga, é com ela que sente-se prazer. Mas não foi tão necessário o seu uso... De 55 minutos do primeiro tempo e de 50 do segundo, precisei ficar em campo boa parte. Sob um sol que há tempos o corpo não sentia... é verdade que o jogo terminou 18 x 15 para o selecionado de cor azul, mas fiquei satisfeito com minha estreia com as novas vestimentas.

Foi assim senhores, o meu ‘novo’ retorno ao Bate-Boca F.S.

Grande abraço do Glauco.

Sobre o jogo: mais novo e mais leve, o time azul sucumbiu ao toque de bola e a experiência do escrete vermelho no começo do jogo. Com George como pivô, o jogo foi jogado devagar, sem pressa e os gols foram saindo à medida em que o time conseguia concatenar as jogadas.

Do lado azulino, a ordem era entrar tocando com Rodolfo, Guilherme e os outros craques, com Martinho mais centralizado na frente, hora como pivô, hora recuando um pouco para arriscar o arremate. Com a atrapalhada entrada de Junior, o time vermelho se perdeu por alguns minutos e ai foi um gol atrás do outro até o primeiro tempo terminar em 10 x 7 para o Azul.

Na segunda etapa era hora do vermelho economizar no fôlego para seguir vivo no jogo. No começo, o azul abriu vantagem na correria e chegou a 15 x 7. O que parecia se desenhar em um massacre foi mudado com um pedido de tempo. A ordem era tocar a bola, tentar o chute de longe. George foi recuado e Serginho passou a ser municiado mais fazes. O vermelho fez o que pode, senhores, pecou na marcação, mas conseguiu se impor na parte final do jogo. Só que era tarde. Final, como já dito, 18 x 15.







5 comentários:

Willian disse...

Valeu Glaucão !!!
É de pessoas assim que precisamos no grupo.
Seja bem vindo.
Abs
Willian

Anônimo disse...

Grande Glauco, chegou como quem não queria nada com a Bola e jogou uma partida surpreendente.
Fez uma marcação perfeita e precisa.
Não cometeu uma falha, o que seria perfeitamente normal pra quem não joga faz tempo.
Espero sinceramente que volte pra ficar.

Qto ao jogo o que tenho a dizer é que o Time Vermelho jogou muita bola e que graças a uma atuação primorasa do Marquinho o Time Azul não aplicou uma goleada.

Faltou pulmão ... sobrou vontade e determinação ao elenco rubro.
Talves se Felipe Galdi e o Miranda estivessem em Campo o resultado poderia ser outro.

O mais importante foi que ninguem reclamou ou encheu o saco.
Ninguem ficou com xingamentos e ofenas.
Record disparado de Fair Play.
Foi muito bom ... torço apenas para que seja sempre assim.

O Time Azul que se cuide, senti muita força de vontade do Time Vermelho.

Marquinho foi eleito melho jogador da Partida.
Fausto e Glauco jogaram muito bem.
Sabado tem mais.

Marcão, doa a quem doer.



Anônimo disse...

Grande Glauco,

Que bom tÊ-lo de volta ao nosso convívio. Fico muito feliz. Bola prá frente amigo! A vida é feita de presenças e às vezes de ausências... mas temos que continuar
Só acrescentaria aos grandes times que marcaram a História do futebol sem ganhar títulos(ou grandes títulos) a Hungria de 54 e o Fluminense de 75, conhecido como a máquina!(Rivelino, Manfrini, Gil , Dorval, Carlos Alberto Torres, Gerson)

Maurício

Anônimo disse...

Boa Glauco e como disse o Marcão que volte para ficar!
Parabéns ao Marquinhos, fez defesas sensacionais, jogou muito, melhor em quadra disparado!
O papo antes de começar o jogo foi super válido, Marcão e George falaram muito bem, espero que continue assim!
Marcelo86

Anônimo disse...

Bem vindo Glauco. É meu aniversário todos estão convidados para ficar depois do jgo. As carnes são por minha conta. Bebidas agente rateia. Abs El loco.